Foi um fim de semana realmente diferente. O arranque, no início de sábado, foi emotivo e um pouco lacrimenjante mas não tardou, para o que o espírito se instalasse e arregaçássemos as mangas.
Só está declaradamente aberta a época natalícia, quando as casas dos meus pais ou sogros, estão num virote infernal e se arrastam sofás, mesas e cadeiras, se mudam móveis e tapetes ou se escondem dentro de armários, carradas de bibelôts e objectos decorativos de gostos…err… bizarros, vá.
Há que arranjar espaço para toalhas desenhadas de anjos e coroas de azevinho, cobertas de travessas recheadas de filhós, sonhos, troncos de natal e frutos secos.
Cheira a açucar, canela, chocolate derretido para a mousse. Do forno, a cada abertura curiosa, o aroma do bacalhau afogado em azeite ou da carne assada percorre as divisões alarmando os estômagos dos mais distraídos.
Foram dois dias imparáveis em bem comer, melhor beber, conversas animadas, corropio de loiça, talheres, atoalhados e verdadeira dança de cadeiras.
Maravilhados com a alegria e inocência das crianças, fingimos acreditar que o pai natal foi generoso com todos, apesar do credo na boca e da palavra crise, repetida a cada cinco minutos.
As minhas prendas foram as últimas a ser descobertas e partilhadas, tal a azáfama de volta dos brinquedos e roupa nova dos miúdos.
A gripe não me demoveu a boa disposição, vontade de ajudar e aproveitar da melhor forma, a companhia dessa prenda maior e tão valiosa que é a familia.
No final de Domingo, cansados com certeza, esgotados do corre-corre atrás dos reguilas aos quais não faltam energias para nos deixar de “cabelos em pé”, foi com uma alegria imensa que refizemos contas ao que mais interessa e no saldo final para todos, um sorriso rasgado de satisfação:
Na barriga, o regozijo das refeições e doces tradicionais,
no coração, o aconchego da melhor companhia de todas para esta época tão especial.